segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um balanço do ARQFUTURO

Como havia mencionado anteriormente, aconteceu no Rio de Janeiro a segunda edição do ARQFuturo, evento sobre arquitetura no Museu de Arte Moderna (MAM), quinta-feira, dia 29 de março com a presença dos economistas Edward Glaeser, da Universidade de Harvard e José ALexandre Sceinknan, de Princeton, que falaram sobre a ocupação do espaço urbano.
“A idéia de trazer esses dois economistas é mostrar que a arquitetura não se restringe ao mundo da estética. É uma questão muito mais ampla, que tem impactos na sociedade como um todo - afirmou o realizador do evento, Tomás Alvim.”

Autor do livro "Os centros urbanos: a maior invenção da humanidade", publicado em 2011, Glaeser é um defensor das metrópoles. Para ele, o crescimento horizontal das cidades é mais produtivo do que o vertical: “A densidade populacional favorece a interação das pessoas, que estarão mais próximas. E estarão mais próximas também dos serviços e do local de trabalho. Ficamos mais inteligentes quando estamos ao lado de outras pessoas.”
Glaeser disse conhecer favelas cariocas e chegou a defendê-las durante o debate: “Não são as cidades que empobrecem as pessoas. Na verdade, os pobres chegam às grandes cidades com maiores expectativas. As favelas representam a falta de planejamento do poder público. Mas, mesmo nas favelas, a receita dessas famílias é maior do que no campo.”
Também na mesa de debates, o economista brasileiro José Alexandre Scheinkman disse: “Esta tentativa de resolver o problema do transporte no Rio criando vias amarela, vermelha, azul é uma besteira. Isso, em nenhuma cidade do mundo, resolveu o problema. A solução do Rio está em duas coisas: dificultar o uso do carro e aumentar a oferta do transporte público.”

Já na sexta-feira, o evento contou com a participação da arquiteta iraquiana Zaha Hadid, única mulher a vencer um prêmio Pritzker, que falou sobre o assunto em voga, Olimpíadas, citando: “Quando se constrói para uma Olimpíada, deve-se construir para o futuro e não apenas pensando nelas. E isso aconteceu nas últimas cidades que sediaram o evento. A zona portuária de Barcelona, na Espanha, foi completamente transformada em 1992; Atenas ganhou um sistema de transporte eficiente, e Pequim desabrochou, sempre seguindo projetos que continuam atendendo à necessidade da população local.” A arquiteta também elogiou Oscar Niemeyer mencionando-o como mestre: “Conheci o trabalho de Niemeyer nos anos 70 e me encantei por aquilo que então chamávamos de curvas moles. Depois, passei a enxergar a abstração de seus traços em outros lugares do mundo. Em Beirute, alguns edifícios lembram o estilo dele. Niemeyer é um mestre.”


Outra palestra teve a participação de Shigeru Ban, arquiteto japonês que morou durante seis anos no teto do Centro Pompidou, em Paris e é especialista em projetos que usam papel como matéria prima. Sobre o uso deste tipo de material relata: “A durabilidade não tem nada a ver com a força do material. Um terremoto pode derrubar um edifício de concreto e não um de tubos de papel. Tudo depende de como a estrutura é pensada.”
Entre seus projetos monumentais, Shigeru destacou o anexo ao Centre Pompidou, na França. Em janelas panorâmicas, ele "emoldurou" paisagens icônicas da cidade de Metz. “No telhado, usei uma estrutura pendente de madeira tecida, inspirada num chapéu chinês de bambu.”

 



Fonte: O Globo/ Rio/ Repórter: Flávia Milhorance/ Foto de Rafael Andrade

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